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Africa
Tive, ao longo de minha vida, a oportunidade de viajar muito. Gosto de viajar, em momento algum viajei forçado.
Em minhas andanças conheci um lugar que todos sabem onde fica mas que poucos conhecem: A África.
Grande parte das pessoas pensa num enorme continente cheio de bichos selvagens, paisagens tropicais e música vibrante. Realmente estes existem, mas é muito infantil resumir assim uma colcha de retalhos de pelo menos 3.000 grandes etnias, culturas muito diversificadas e antigas, e todas as variações possíveis de clima, aromas, sons e espiritualidade.
Na minha opinião essa tremenda diversidade é completamente ignorada pelo resto do mundo, que tem como "top of mind" a imagem de Tarzan e Chita ou de crianças passando fome.
É claro que existem problemas sim, a África apresenta a maior incidência mundial - e ainda em expansão - de contaminados pelo vírus do HIV. Sempre há pelo menos dez conflitos armados em curso em alguma parte do continente e pelo menos dez ditadores sanguinários massacrando seus desafetos. As revoluções e gerras civis são sempre cruéis porque envolvem ódios muito antigos entre tribos rivais, não ideologias ou diferenças de opinião.
Embora a forma do continente se mantenha constante (pelo menos até que a falha do Great Rift Valley não separe a África oriental do resto, mas isto ainda demora algumas centenas de anos), a divisão política deveria ser escrita a lápis, pois países mudam de nome e fronteiras migram com muita facilidade. O Alto Volta virou Burkina Faso, o Congo Belga virou Zaire e depois Republica Democrática do Congo, Tanganika e Zanzibar se uniram e formaram a Tanzania e assim por diante. Isso em grandes linhas, porque a divisão interna em províncias e estados é ainda mais fluida.
O problema foi criado quando as diversas potencias coloniais européias resolveram dividir a África entre si - sem dar muita importância à opinião dos moradores originais - e, quando partiram (voluntariamente ou expulsos depois de anos de luta com os chamados "nativos"), deixaram países compostos por várias etnias que se odiavam enquanto grupos culturais e raciais homogêneos eram divididos por fronteiras artificiais e idiomas europeus diferentes. Assim, podemos encontrar, por exemplo, Yorubás na Nigéria (onde se fala Inglês) e no Benin (onde se fala Francês). São todos Yorubás, cujo soberano tradicional é o Obá de Badagry, o Rei dos Yorubás - mas também são cidadãos nigerianos e beninenses. Eles convivem na Nigéria com os Hausas e os Ibos (e também com uma variedade de outras etnias menores), com os quais não possuem qualquer laço cultural, religioso ou físico, apenas porque os ingleses um dia resolveram que aquele seria o país deles, a "Nigéria".
Neste blog vou contar histórias africanas, especialmente experiencias boas (e algumas não tão boas) que tive visitando 33 dos então 56 países e enclaves do continente e morando num deles, a Nigèria. Quem sabe vou poder passar um pouco daquilo que sinto em relação aos povos - com raras exceções - extremamente agradáveis e hospitaleiros que encontrei. Quero mostrar como em geral nós ignoramos o que se passa ali e infelizmente adotamos estereótipos pouco fiéis à realidade quando pensamos nos habitantes daquele mundo tão antigo.
Escrito por Douglas às 17h49
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Formula 1 - Reta Final
Neste final de semana teremos o Grande Premio da China. Nele o inglês Lewis Hamilton poderá garantir antecipadamente o título de 2007, bastando marcar 3 pontos a mais que Fernando Alonso.
A não ser que haja uma tremenda reviravolta, o melhor piloto estreante da história da F1 deverá ser mesmo o campeão de pleno direito, com um currículo invejável de vitórias, pódios e regularidade, além de arrojo, competitividade, frieza e muita técnica.
Desde o início da F1 em 1950 houve muitos bons pilotos, alguns excelentes, uns poucos extraordinários - e uma grande quantidade de coadjuvantes que apenas completaram os grids de largada nesses 57 anos. Daqueles que disputaram os campeonatos houve aqueles que conseguiram e outros que ficaram sempre no "quase".
Não vou comentar a respeito dos que venceram, porque evidentemente eles chegaram lá e todos nós sabemos quem são. Os "quase" deram grandes shows de pilotagem, disputaram curva a curva as posições com os melhores da temporada, mas não terminaram seus projetos de campeonato. Assim foram Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson, Elio de Angelis, François Cévert, René Arnoux, Jean Alesi e tantos outros. Alguns morreram tentando e outros desistiram a tempo. Lewis Hamilton decididamente não é um "quase". Esse veio para arrasar, talvez daqui a alguns anos possamos classificá-lo como parte do seleto clube dos grandes pilotos ao qual pertenceram Fangio, Clark, Senna e Schumacher. Ele será, no mínimo, um dos pilotos excelentes. Aliás, na minha opinião, já é !!!
Escrito por Douglas às 19h43
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